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O governador Tarcísio quer destruir a ciência no estado de São Paulo 

As entidades representativas da ciência, da pesquisa, os trabalhadores e trabalhadoras do conhecimento científico no Estado de São Paulo vêm a público denunciar um grave ataque à ciência pública paulista.

O Decreto nº 70.410/2026, do governo de Tarcísio de Freitas, não é um ato administrativo isolado: trata-se de uma ofensiva direta contra a ciência pública e contra a capacidade do Estado de proteger a população. Ao extinguir mais de 67 mil cargos — sendo mais de 5 mil ligados diretamente à pesquisa científica e os demais à educação e à saúde — o governo promove um desmonte sem precedentes da capacidade estatal de produzir conhecimento, formular políticas públicas e preservar a vida.

Os impactos desse desmonte já são concretos e atingem, de forma ampla e articulada, instituições que historicamente sustentam a produção científica paulista. Entre os principais órgãos afetados estão o Instituto Agronômico de Campinas, responsável por pesquisas fundamentais para a produtividade agrícola; o Instituto de Economia Agrícola, essencial para a orientação de políticas públicas e análises de mercado; o Instituto de Zootecnia, estratégico para a pecuária; o Instituto de Pesca, fundamental para a segurança alimentar e a economia do setor; o Instituto Geológico, que atua na prevenção de riscos ambientais e desastres; e o Instituto Florestal, central na preservação dos biomas paulistas — estes dois últimos atualmente inseridos no Instituto de Pesquisas Ambientais. O enfraquecimento conjunto dessas instituições representa um verdadeiro colapso sistêmico da capacidade científica do Estado.

A extinção da SUCEN e a desestruturação dos laboratórios do Instituto Pasteur, por exemplo, enfraquecem diretamente o combate a doenças como dengue, zika e chikungunya, ampliando o risco de epidemias — especialmente nos municípios mais vulneráveis. Não se trata de um debate abstrato: trata-se de mais doença, mais risco e pior qualidade de vida para a população.

Nos laboratórios e centros de pesquisa, o cenário já é de precarização e abandono. Sem o conhecimento acumulado, o Estado perde sua capacidade de agir com planejamento e passa a atuar de forma reativa, sempre atrasado diante das crises. O desmonte compromete também a capacidade de prever problemas. Pesquisas que relacionam clima, ambiente e dinâmica urbana à propagação de doenças são essenciais para antecipar surtos e agir antes que se tornem epidemias. Sem equipes, sem coleta de dados e sem continuidade científica, o que antes era prevenção se transforma em improviso.

Há anos, o Estado de São Paulo não realiza concursos públicos suficientes para recompor o quadro de servidores da ciência e da pesquisa. Institutos inteiros operam com equipes envelhecidas, reduzidas e sobrecarregadas. Pesquisadores e técnicos acumulam décadas de dedicação ao serviço público, sustentando projetos estratégicos sem reposição à altura. Em vez de valorizar essa experiência e garantir a transmissão de conhecimento entre gerações, o governo aprofunda a precarização, extinguindo cargos e inviabilizando a renovação dos quadros. O resultado é um duplo colapso: perde-se tanto a memória acumulada quanto o futuro da pesquisa. Sem concursos, não há renovação; sem renovação, não há continuidade; e, sem continuidade, políticas públicas baseadas em ciência deixam de existir.

Trata-se de uma escolha política. Ao desmontar justamente os instrumentos que salvam vidas e antecipam crises, o governo adota, na prática, uma postura negacionista. Alinhado a uma lógica que subordina o interesse público aos interesses do mercado, amplia-se a dependência de corporações privadas e abre-se mão da soberania científica do Estado.

Após a tragédia da Pandemia de COVID-19, quando a ciência pública foi decisiva para proteger a população, esse caminho se mostra ainda mais grave. Destruir a capacidade científica do Estado é abandonar a prevenção, enfraquecer a resposta a emergências e colocar o futuro em risco.

As entidades científicas, acadêmicas e sindicais reafirmam: defender a ciência pública é defender a vida. O que está em jogo é se o Estado de São Paulo será capaz de proteger sua população — ou se será reduzido a um instrumento a serviço do mercado.

Não ao Decreto nº 70.410/2026!

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